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12/8/17

Praça Luís de Camões / Luís de Camões Square

   A Praça Luís de Camões ou também conhecida como Largo de Camões, é talvez um dos cartões-de-visita de Lisboa. Situada no tão falado e conhecido Bairro Alto, no Chiado, na freguesia da Misericórdia.

   Do alto do seu pedestal, Luís Vaz de Camões, autor da grandiosa obra, os Lusíadas, vigia esta bela e discreta praça. Mas esta Praça não tem nada de discreta e Camões tem muito que vigiar, pois esta serve como porta de acesso ao Bairro Alto (principal centro de animação noturna da cidade de Lisboa) e é o ponto de encontro de multidões, todos os dias e principalmente todas as noites.

   De realçar também são os edifícios com cafés, quiosques e lojas à sua volta e sempre vimos nascer aí negócios que procuram manter vivas as nossas tradições sem esquecer o tempo em que vivemos. Aqui está também a entrada para o Bairro Alto Hotel cujo último andar proporciona uma excelente vista da cidade principalmente ao pôr-do-sol.

   Por tudo isto, é normal ver muita animação de gentes, muitos sentados aos pés de Camões a conviver ou a contemplar esta parte da cidade.
   Luís de Camões Square or also known as Largo de Camões, is perhaps one of Lisbon's business cards. It taked place in the well-known Bairro Alto, in Chiado, in the Misericórdia parish.

   From the top of his pedestal, Luis Vaz de Camões, author of the great work, the Lusíadas, watches this beautiful and discreet square. But this square has nothing to discredit and Camões has much to watch, because this square serves as a gateway to Bairro Alto (main nightlife center of Lisbon city) and it is the meeting point of crowds, every day and mainly every night.

   It is also noteworthy the buildings with cafes, kiosks and shops around it and we have always seen here businesses to born that keep our traditions alive without forgetting the time we live in. Here is also the entrance to the Bairro Alto Hotel whose top floor provides a great view of the city especially at sunset.

   For all this, it is normal to see much people animation, many people sitting at the Camões feet to live or contemplate this part of the city.




Praça Luís de Camões
© Roc2c

Detalhe do Pelourinho da Praça Luís de Camões
© Roc2c

"A
LUIZ DE CAMÕES"



A Calçada

   Debaixo dos milhões de pés que por aqui passam está uma Calçada Portuguesa feita por excelentes Mestres Calceteiros nos finais do século XIX. Sereias, naus, caravelas alusivas aos Descobrimentos são pisadas por pessoas que não vêm o que pisam mas também por pessoas com olhares atentos. Neste grande largo está assente um bonito empedrado, a preto e branco com simetria de reflexão, repetindo-se ao longo de todo o chão. Este pavimento faz as delícias de todos os amantes da típica Calçada Portuguesa.
The Pavement

   Under the millions of feet that pass here is a Portuguese Pavement made by excellent Master Portuguese Pavement Craftsmen in the late nineteenth century. Mermaids, ships, caravels allusive to the Discoveries are trodden by people who do not see what they walk on, but also by people with watchful eyes. On this large square is a beautiful stone pavement, black and white with symmetry of reflection, repeating itself along the whole ground. This pavement makes the delights of all typical Portuguese Pavement lovers.




Praça Luís de Camões, detalhes da Calçada Portuguesa
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Praça Luís de Camões
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Caravela em Calçada Portuguesa, Praça Luís de Camões
© Roc2c



A História

   Vítor Bastos foi o autor/escultor do monumento que foi construído entre 1860 e 1867. A escultura é constituída pela figura de Luís de Camões, de bronze e com 6 metros de altura e abaixo dele estão estátuas de grandes personalidades da literatura Portuguesa. Assim podemos ver as estátuas de Fernão Lopes, Pedro Nunes, João de Barros, Azurara, Sá Menezes entre outras. Segundo se sabe, a referida estátua foi inaugurada no dia nove de Outubro do ano de 1867. Esta estátua tem sido, ao longo dos tempos, muito criticada. Camões está de espada em punho e com ar muito altivo, em que nada tem a ver com a personalidade romântica do poeta mas nenhuma crítica lhe consegue tirar a imponência.
The History

   Vítor Bastos was the author/sculptor of the monument that was built between 1860 and 1867. The sculpture is made up of Luís de Camões figure, in bronze and 6 meters high and below it statues of great personalities of Portuguese literature. Thus we can see the statues of Fernão Lopes, Pedro Nunes, João de Barros, Azurara, Sá Menezes and others. It is known, this statue was inaugurated on October 9, 1867. This statue has been criticized over the years. Camões has a sword in his fist and he is very haughty, in which nothing has to do with the romantic personality of the poet but no criticism can take away the grandiosity.



Praça Luís de Camões, Lisboa (c. 1859)
© Lisboa de Antigamente

Praça Luís de Camões, Lisboa (início séc. XX)
© Lisboa de Antigamente

12/6/17

Praça do Município, Lisboa / Municipal Square, Lisbon

   A Praça do Município tem lugar na freguesia de Santa Maria Maior, na Rua do Arsenal, em plena Baixa Pombalina e com a Praça do Comércio a oeste. Aqui está o edifício dos Paços do Concelho com a sede da Câmara Municipal de Lisboa e no seu centro localiza-se o Pelourinho de Lisboa.

   Esta praça foi palco, no dia 5 de outubro de 1910, da proclamação da república perante milhares de pessoas. Ainda hoje, as comemorações da Implantação da República realizam-se aqui.

  A Calçada Portuguesa é um dos ex-libris da cidade de Lisboa. É uma forma de arte urbana que apaixona e surpreende turistas, habitantes locais e conhecedores desta matéria.

   Em plena Praça do Município e em frente à Câmara, as linhas geométricas encaixam com a forma ortogonal da praça e estão colocadas no chão em forma de raios. O atual pavimento desta praça é de 1997, e o desenho é da autoria do pintor Eduardo Nery. O artista quis criar um desenho geométrico para que parecesse um longo “tapete” com um padrão de triângulos e retângulos. Este padrão hipnotizante confunde-nos com as suas ilusões óticas, dificultando a vida ao nosso cérebro.
   The Municipal Square takes place in the parish of Santa Maria Maior, in Arsenal Street, in the middle of Baixa Pombalina with Comércio Square in the west. Here is the Town Hall building with the headquarters of the Lisbon City Hall and in its center is the Lisbon Pillory.

   This square was stage, on October 5, 1910, of the proclamation of the republic with thousands of people. Even today, the commemorations of the Implantation of the Republic take place here.

   The Portuguese Pavement is one of the ex-libris of Lisbon. It is an urban art that fascinates and surprises tourists, locals and connoisseurs of this subject.

   In the middle of the Municipal Square and in front of the City Hall, the geometric lines fit with the orthogonal shape of the square and they are placed on the ground in the form of rays. The current pavement of this square is from 1997, and the drawing was made by the painter Eduardo Nery. The artist wanted to create a geometric drawing that it looked like a long "rug" with a triangles and rectangles pattern. This hypnotizing pattern confuses us with its optical illusions, it makes a difficult life to our brain.




Praça do Município, Lisboa (ant. 1900)
© Lisboa de Antigamente


 O padrão aqui exposto tem o nome de Espinhado, sendo o Espinhado um dos vários tipos de assentamento decorativos na arte da calçada. Espinhado significa em espinha, é da família de espinha e provém do latim com o significado de espinheiro, roseira brava, espinha dorsal e coluna vertebral.                           · Eduardo Nery foi um artista plástico e pintor português, nasceu na Figueira da Foz em 1938. Nery destacou-se também na tapeçaria, na gravura, na pintura mural e no vitral, realizou dezenas de exposições no país e no estrangeiro, da Alemanha ao Egipto, no Brasil e EUA, ficará como um dos criadores plásticos portugueses mais destacados no âmbito dos projetos de arte pública. Eduardo Nery morreu a 2 de março de 2013 em Lisboa.
         
   «No projecto deste pavimento em calçada-mosaico, a preto e branco, procurei resolver algumas questões prévias, que coloquei a mim próprio. Em primeiro lugar, criar um desenho geométrico para que a praça fosse percebida como um “tapete” homogéneo, com um padrão de triângulos rectângulos e de quadrados, que se estendesse a todas as áreas a organizar plasticamente neste espaço urbano, conferindo-lhe a máxima unidade interna. 

 Uma segunda questão, que procurei resolver foi criar um centro muito bem definido, no reforço do pelourinho, que sempre esteve colocado no centro desta praça. Para tal, criei um desenho circular em rotação, que prolongou e expandiu o movimento espiralado, da coluna-torsa do pelourinho, também ela em rotação interna. Por sua vez, o meu desenho radial foi subdividido em triângulos semelhantes aos que criei para a área restante da praça, garantindo assim uma grande unidade interna no desenho global do pavimento. […]»
Citações de Eduardo Nery em polyedros.blogspot.pt

   This pattern is called Espinhado. Espinhado is one of several types of decorative settlement in the pavement art. Espinhado means spine, is of the spine family and it comes from Latin with the meaning of hawthorn, brave rose, backbone and spine.
       · Eduardo Nery was a Portuguese plastic artist and painter. He was born in Figueira da Foz in 1938. Nery also excelled in tapestry, engraving, mural painting and stained glass, he performed dozens of exhibitions at home and abroad, from Germany to Egypt, Brazil and USA,he will be one of the most important Portuguese plastic creators in the public art projects. Eduardo Nery died on March 2, 2013 in Lisbon.
           
   « In the design of this pavement in mosaic-pavement, in black and white, I tried to solve some previous questions, which I put to myself. Firstly, to create a geometric design that the square was perceived as a homogeneous "carpet", with a pattern of rectangles and squares triangles, that extended to all the areas to organize plastically in this urban space, conferring to it the maximum internal unit.



   A second question that I tried to solve was to create a very well defined center in the pillory reinforcement, which was always placed in the center of this square. To do this, I created a rotating circular design, which extended and expanded the spiral movement of the pillory column, it was also in internal rotation. In turn, my radial design was subdivided into triangles similar to those I created for the remaining area of the square, thus ensuring a great internal unity in the overall design of the pavement. […]»
Quotes of Eduardo Nery polyedros.blogspot.pt











Praça do Município, Lisboa
© Roc2c


   O padrão atual da Praça do Município está, de fato, uma magnífica obra de arte, contudo nem sempre foi assim. O calcetamento inicial em volta do Pelourinho foi assente nos finais do século XIX e também era lindo de se ver e tanto o Pelourinho como a sua calçada tinha a admiração dos entendidos.

   O Pelourinho de Lisboa, classificado como Monumento Nacional, foi colocado na Praça do Município alguns anos depois do terramoto de 1755 pelo arquiteto Eugénio dos Santos e Carvalho, porém a Praça do Município nem sempre teve esta designação. Na sua abertura teve o nome de Largo da Patriarcal seguido de Praça dos Leilões ou das Arrematações e em 1783 aparece a designação de Largo do Pelourinho que permaneceu até 1886 e só nesta data foi mudada para Praça do Município.

  Após um grande incêndio, a 19 de novembro de 1863, em que ficou completamente destruído, assiste-se à construção de um novo edifício entre 1865 e 1880. O projeto foi do arquiteto Domingos Parente da Silva e o remate da fachada é alterado, por decisão do Engenheiro Ressano Garcia. No seu interior, é de destacar a influência do Arquiteto José Luís Monteiro e dos pintores José Pereira Júnior, Columbano e Malhoa. 
A 7 de Novembro de 1996, um novo incêndio destruiu os pisos superiores, afetando as pinturas do 1º andar.
   The current pattern of Municipal Square is, in fact, a magnificent work of art, however It was not always like this. The initial pavement around the Pillory was settled at the end of the nineteenth century and it was also beautiful to see and the Pillory and its pavement had the admiration of the connoisseurs.

   The Lisbon Pillory, classified as a National Monument, was placed in the Municipal Square a few years after the 1755 earthquake by architect Eugénio dos Santos e Carvalho, but this square did not always have this designation. In its opening was the name of Patriarchal Square followed by Auctions Square and in 1783 appears the designation of Pillory Square that remained until 1886 and only on this date was changed to Municipal Square.

   After an enormous fire, on November 19, 1863, when it was completely destroyed, a new building was constructed between 1865 and 1880. The project was made by the architect Domingos Parente da Silva and the finish of the facade was changed, for decision of the Engineer Ressano Garcia. Inside it, the influence of the Architect José Luís Monteiro and the painters José Pereira Júnior, Columbano and Malhoa were noteworthy. On November 7, 1996, a new fire destroyed the upper floors, affecting the paintings on the first floor.




Pelourinho da Praça do Município, Lisboa
© Roc2c


12/4/17

Palavras com História / Words With History

           No episódio 18 do programa «Cuidado com a Língua»transmitido na RTP1 no dia 27 de Novembro de 2017, a Calçada Portuguesa foi a personagem principal. Neste episódio houve uma ligação muito forte entre a arte da calçada e a arte de falar português.





A Calçada Portuguesa na Praça do Município em Lisboa

            "A palavra espinhado que significa em espinha é da família de espinha. Provém do latim com o significado de espinheiro (planta), roseira brava, espinha dorsal, coluna vertebral. No plural já no latim spina significava vícios, defeitos, rodeios, subtilezas.
            Neste caso, o termo espinhado diz respeito a um dos vários estilos e temáticas decorativas que existem na arte da Calçada Portuguesa.


Praça do Município - Lisboa
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         O General Eusébio Pinheiro Furtado que foi governador do Castelo de São Jorge em Lisboa entre 1840 e 1846 foi quem decidiu pavimentar a fortaleza lisboeta com pedras de calcário branco cortadas a espaços por outras de basalto negro. Estas pedras foram colocadas por presidiários da altura, a quem chamavam grilhetas ou calcetas. Reza a história que a cidade em romaria subiu à sua colina fortificada para admirar o mosaico que os cativos tinham assentado. A Câmara de Lisboa gostou tanto do trabalho que replicou a ideia no Rossio em 1848, desta vez utilizando o calcário vidraço. Trata-se de outro tipo de calcário, branco e negro, num desenho inspirado nos Descobrimentos. Foi dado o nome de Mar Largo por representar as ondas do mar, cuja travessia levou os navegadores portugueses a ultrapassar o Cabo das Tormentas e a chegar ao Brasil. Durante os primeiros anos do século XX a calçada foi cobrindo Lisboa até ao Marquês de Pombal.


Rossio - Lisboa
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Palavras com História

         O calçadão na praia de Copacabana no Rio de Janeiro com a composição e o desenho da Calçada Portuguesa deu-se a conhecer ao mundo em 1942 com o filme “Saludos Amigos” de Walt Disney, quando o Zé Carioca e o Pato Donald dançaram a “Aguarela do Brasil” com Maria do Carmo Miranda da Cunha, uma portuguesa de Marco de Canaveses, conhecida para sempre como Carmem Miranda.

          Calçadão é o aumentativo do substantivo calçada precisamente pela sua extensão e grande largura no Brasil. O calçadão do Rio de Janeiro é a grande obra emblemática de Calçada Portuguesa.  Foi mandado fazer em 1906 e tem 4,15 quilómetros. Inicialmente as ondas nele representadas eram perpendiculares ao comprimento da calçada mas com a reforma da década de 70 ganharam o sentido atual, paralelo ao comprimento da calçada e às ondas do mar.
As pedras aí utilizadas foram importadas de Portugal, também de Portugal seguiu um grupo de calceteiros para proceder à aplicação da calçada. A palavra calceteiro designa o operário que aplica calçada em ruas. Formou-se do verbo calcetar que vem da palavra calceta, originária do latim.

            Calceta é da família das palavras calças e calçado. Originariamente os romanos não usavam nem meias nem calças e aprenderam com os germanos, que estavam habituados a um clima mais frio, a usar essas peças de vestuário. Designaram então as calças com a palavra usada para designar o calçado, o sapato mas no feminino.
Com o passar dos tempos as calças tornaram-se mais compridas até cobrir o corpo dos pés à cintura. No século XVI, as calças dividiram-se em duas partes, aquela que cobria a barriga e as coxas manteve o mesmo nome, calças ou calça e a que cobria as pernas e o pé passou a chamar-se meia calça e depois apenas meia com a elipse da palavra calça.

       A palavra calceta entrou no Português no final do século XVI, proveniente do espanhol. Designava uma argola de ferro fixada no tornozelo do prisioneiro e ligada à sua cintura por meio de uma corrente de ferro. Tal como as calças, a calceta ia da cintura ao tornozelo. Por extensão de sentido, a palavra calceta passou a designar o próprio prisioneiro e em Portugal, no século XIX começaram por ser os presos denominados de grilhetas ou calcetas que se ocupavam do calcetamento das ruas e assim se formou o verbo calcetar da palavra calceta.

          Um maço é um instrumento formado por um bloco de madeira dura, geralmente com a forma de um paralelepípedo encavado ao meio para usos semelhantes ao do martelo. Trata-se de um pilão usado pelos calceteiros para bater a pedra até ela ficar bem presa ao chão.

        Maço provém da palavra maça que também designa esse mesmo instrumento usado pelos calceteiros. Servia também para bater ou maçar o linho, designando ainda um pau bastante pesado, mais grosso numa das extremidades outrora usado como arma. Maçar significa não só bater com o maço ou maça como, em sentido figurado, enfadar com uma conversa longa, aborrecer, incomodar.


Maço e martelo
© Roc2c

            Calçar tanto quer dizer revestir os pés de sapatos ou as mãos de luvas, como no caso que aqui nos trouxe, significa pavimentar ruas ou passeios, ou seja, calcetar.
Calçada é o particípio passado substantivado do verbo calçar, com o significado de calcetar. Formou-se o substantivo calçada com o sentido que aqui vemos, o pavimento formado por pequenos elementos de pedra. Por sua vez, a palavra latina que significava calçada é da família de calcanhar e de calcar, no sentido de pisar com os pés.

            A palavra releixo é um regionalismo que designa o ato ou efeito de releixar que é exatamente o mesmo que relaxar. Relaxar significa tornar frouxo, diminuir a tensão. A pedra deixada com releixo na calçada quando está a ser feita, ainda não está bem presa. A palavra relaxar adquire também o significado de descontrair, condescender, enfraquecer ou afrouxar. Por isso o substantivo releixo também significa desleixo, desmazelo.

            A palavra pedra tem origem no latim com o mesmo significado. Da família de pedra é o nome Pedro. No Evangelho Segundo São Mateus, refere-se que Cristo terá dito a Pedro, seu Apóstolo, nomeando-o fundador da sua Igreja, «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

       Litologia é a descrição das características físicas das rochas como a cor, a estrutura, os componentes minerais e o tamanho do grão. Os elementos de formação da palavra são de origem grega e significam pedra e estudo. Também se denomina Petrografia com origem no latim."




In the eighteen episode of the program «Cuidado com a Língua» broadcast in RTP1 on November 27, 2017, the Portuguese Cobblestone was the main character. In this episode there was a very strong connection between the art of the pavement and the art of speaking Portuguese.

The Portuguese Cobblestone in the Town Hall Square in Lisbon

            The espinhado word that means espinha is from the spine family. It comes from Latin with the meaning of hawthorn (plant), wild rose, backbone, spine. In the plural already in Latin it meant vices, defects, detours, subtleties.
In this case, the term espinhado refers to one of several styles and decorative themes that exist in the art of the Portuguese Cobblestone.

           General Eusebio Pinheiro Furtado who was governor of São Jorge Castle in Lisbon between 1840 and 1846 was who decided to pave the Lisbon fortress with white limestone stones cut by spaces for others of black basalt. These stones were placed by prisoners of this time, who were called grilhetas or calcetas. The history tells us that the city in pilgrimage ascended its fortified hill to admire the mosaic that the captives had settled. The Lisbon Council liked the work so much that it replicated the idea in Rossio in 1848, this time using limestone glass. This is another type of limestone, black and white, in a design inspired by the Discoveries. It was named Wide Sea because it represented the waves of the sea, whose crossing led the Portuguese navigators to cross the Cape of Storms and arrived in Brazil. During the first years of the twentieth century the portuguese pavement was covering Lisbon until the Marquis of Pombal.


Castelo de São Jorge - Lisboa
© Castelo de S. Jorge


Words With History

            The pavement on Copacabana beach in Rio de Janeiro with the composition and design of the Portuguese Cobblestone was made known to the world in 1942 with the film "Saludos Amigos" by Walt Disney, when Zé Carioca and Donald Duck danced the "Aguarela do Brasil "with Maria do Carmo Miranda da Cunha, a Portuguese from Marco de Canaveses, known forever as Carmem Miranda.

            Calçadão is the augmentative of the noun calçada, precisely by its extension and great width in Brazil. The pavement of Rio de Janeiro is the great emblematic work of Portuguese Pavement. It was ordered in 1906 and it has 4.15 kilometers. In the begginning the waves represented in it were perpendicular to the length of the pavement but with the reform of the 1970s they gained the current meaning, parallel to the length of the pavement and the sea waves.
The stones used there were imported from Portugal, from Portugal also followed a group of Portuguese Pavement Craftsmen to proceed with the pavement application. The word calceteiro  means the worker who applies pavement in streets. It was formed from the verb calcetar that comes from the word calceta, originating from Latin.


Pavement on Copacabana Beach in Rio de Janeiro
© VOGUE
          
           Calceta is from the family of the words calças and calçado. Originally the Romans wore neither socks nor trousers and learned from the Germans, who were accustomed to a colder climate, to wear these clothes. Then they designated the pants with the word used to designate the footwear, the shoe but in the female. Over time, the trousers have become longer until they reach the waist. In the sixteenth century, the trousers were divided into two parts, the one that covered the belly and the thighs kept the same name, pants and the other that covered the legs and the foot was called pantyhose and then only hose with the ellipse of the word pants.

            The word calceta get in the Portuguese language in the late sixteenth century, coming from Spanish. It meant an iron ring attached to the ankle of the prisoner and attached to his waist by an iron chain. Like the trousers, hose ran from waist to ankle. By extension of meaning, the word calceta came to designate the prisoner and in Portugal, in the nineteenth century began as the prisoners called grilhetas or calcetas that were busy with the streets pavement and thus it was formed the verb calcetar of the word calceta.

            Maço is an instrument made up of a hardwood block, usually with a parallelepiped form bundled in half for uses similar of the hammer. This is a pylon used by Portuguese pavement craftsmen to hit the stone until it is securely attached to the ground.

          Maço comes from the word maça and it also means the same instrument used by the portuguese pavement craftsmen. It also served to beat or flay the flax, it is also a rather heavy, thicker stick at one side and it was once used as a weapon. Maçar means not only striking with the maço or maça, but figuratively, boring with long talk and annoying.

            Calçar means coating the feet of shoes or the hands of gloves, or in the case that brought us here,it means to pave streets or walks, that is, calcetar. Calçada is the past participle of the verb calçar, meaning of calcetar. The noun calçada was formed with the meaning we see here, the pavement formed by small stone elements. In turn, the Latin word that meant calçada is of the family of calcanhar and calcar, in the sense of treading with the feet.

            The word releixo is a regionalism that designates the act or effect of releixar that is exactly the same as relaxar. Relaxar means becoming loose, lessening tension. The stone left with releixo on the pavement when it is being made it is still not well secured. The word relaxar also acquires the meaning of relaxing, condescending, weakening or loosening. That is why the noun also means slovenliness, sloppiness.

            The word pedra comes from Latin with the same meaning. Of the pedra family is the name Pedro. In the Gospel According to St. Matthew, Christ has said to Pedro, his Apostle, naming him the founder of his Church, "You are Peter and on this rock I will build my Church.

         Lithology is the description of the physical characteristics of the rocks as the color, the structure, the mineral components and the size of the grain. The elements of formation of the word are of Greek origin and signify pedra and estudo. Also called Petrography with origin in Latin.

11/29/17

In O livro de Cesário Verde


Cristalizações
"Faz frio. Mas, depois duns dias de aguaceiros,
Vibra uma imensa claridade crua.
De cócoras, em linha, os calceteiros,
Com lentidão, terrosos e grosseiros,
Calçam de lado a lado a longa rua."


Cesário Verde
© Wiki Educação

          Hoje é dia de um post diferente, mas temos sempre a calçada e os calceteiros como ponto de partida.
      Vamos fazer uma curta análise ao excerto do poema “Cristalizações” de Cesário Verde, excerto este que nos fala dos calceteiros e na sua arte.
       Esperamos que gostem desta curta abordagem ao tema.
    No período em que viveu Cesário Verde (1855-1886), Portugal estava em profunda transformação. 
        Ele pertenceu à época literária do romantismo (2ª metade do século XIX), do período realista.
       Neste poema, Cesário Verde vai deambulando pela rua, onde vai encontrando trabalhadores de diferentes profissões. Vai falando deles e descrevendo as suas condições de trabalho.
        Logo no primeiro excerto, o poeta faz referência aos calceteiros trazidos da prisão, aguilhoados para calcetarem as ruas de Lisboa.

Praça Dom João da Câmara (1907)
© Lisboa de Antigamente


       Estes homens trabalhavam de sol a sol independentemente da estação do ano, construíam ruas onde predominava a pedra branca dando assim uma “imensa claridade crua” às ruas de Lisboa e que juntamente com os “ dias de aguaceiro” o tapete empedrado destas ruas fica brilhante e cristalizado.

       Estes “guilhetas” estavam de “cócoras”, nem sequer tinham o banquinho de calceteiro e eram obrigados a trabalhar em “linha” e em equipa, estando acorrentados tinham forçosamente de manter a fila.
Praça Dom João da Câmara (1907)
© Lisboa de Antigamente

       Devido ao esforço despendido, os prisioneiros teriam os seus movimentos muito mais lentos do que os homens libertos, daí a “lentidão” referida. Cesário Verde realça ainda a aparência dos calceteiros como “terrosos” pois para ele estes homens adquiriam o tom da terra e da pedra ainda por limpar, quase que faziam parte do próprio chão. Eram calceteiros “grosseiros”  pois a  situação em que se encontravam era penosa e para se chegar a calceteiro era necessário começar a profissão muito cedo dado que mais tarde as articulações das mãos já não lhes permitia flexibilidade, tornando-se desajeitadas para o ofício.

     Para Cesário Verde ver é perceber o que se esconde, por isso, ele vê a cidade minuciosamente através dos sentidos e faz a perfeita descrição dos calceteiros “guilhetas” da cidade de Lisboa em pleno século XIX.
      Neste poema temos uma referência a esta humilde mas nobre profissão e já também muito antiga que se viria a tornar numa profissão de grande mestria e qualidade.




In O livro de Cesário Verde


      Today it is a different post day, but we always have the pavement and the Portuguese Pavement Craftsman as a starting point.
       Let's make a short analysis of the excerpt from the poem "Crystalizations" by  Cesário Verde, an excerpt that tells us about the Portuguese Pavement Craftsmen and their art.
       We hope you enjoy this short approach to the theme.
       In the period when Cesário Verde lived (1855-1886), Portugal was in deep transformation. He belonged to the literary age of Romanticism (2nd half of the nineteenth century), from the realist period.
      In this poem, Cesário Verde goes walking the street, where he finds workers of different professions.       
        Talk about them and he describes their working conditions.
      In the first excerpt, the poet refers to the Portuguese Pavement Craftsman brought from the prison, they were stucked and they paved the lisbon streets.
Avenida da Liberdade (1907)
© Lisboa de Antigamente

        These men worked from sundown to sundown regardless of the season, they built streets where the white stone predominated, thus giving a "raw clarity so wide" to the streets of Lisbon and along with the "days of showers" the pavement  carpet of these streets is bright and crystallized.
        These "guilhetas" were "squatting", they did not even have the stool and they were forced to work “aligned" and in team, they were chained so they had to keep in line.
        Due to the effort spent, the prisoners would have their movements much slower than the free men, hence the "slow" he referred . Cesário Verde also emphasizes the appearance of the Pavement Craftsmen as "earth-colored" because for him these men acquired the tone of the earth and the stone still to be cleaned, they were almost part of the ground. They were "coarse" pavement craftsmen because they were in a  painful situation and to get to a pavement craftsman it was necessary to start the profession very early, if it was more later  the joints of the hands no longer allowed them flexibility, becoming awkward for the craft.
Rua Doutor Nicolau de Bettencourt (1957)
© Lisboa de Antigamente

         For Cesário Verde to see is to understand what it is hidden, therefore, he sees the city through the senses and he makes the perfect description of the "guilhetas" of Lisbon city in the XIX century.
In this poem we have a reference to this humble but noble profession and it is already very old that would become a profession of great mastery and quality.


Poema "Cristalizações", Cesário Verde

11/28/17

Cuidado com a Língua! - Episódio Calçada Portuguesa


"A Calçada Portuguesa, de Lisboa ao Rio de Janeiro - aqui designada de "Calçadão", com os seus 4,15 km de extensão na praia de Copacabana -, está em foco neste episódio do "Cuidado coma Língua!". Ela e os seus artífices da mais criativa pavimentação das praças e passeios de uma cidade. E, claro, com as inúmeras palavras e expressões relacionadas com o tema. Por exemplo, o denominador comum entre "grilhetas" (ou "calcetas"), "calcetar", "calças", "calçado", "calcanhar" e "calcar". E como se denomina, e porquê, o pilão usado pelos calceteiros para bater a pedra até ela ficar bem presa ao chão? E o que se quer dizer com a frase «deixar a pedra "releixada"»?"





11/27/17

Praça do Império / Império Square

            A Praça do Império está numa das zonas nobres de Lisboa, em frente ao maravilhoso Mosteiro dos Jerónimos e ao Centro Cultural de Belém. Esta praça e jardim foi projetada pelo arquiteto Cottinelli Telmo para a Exposição do Mundo Português de 1940, nas comemorações do 8º Centenário da Independência de Portugal e os 300 anos da restauração da Independência, num ato nacionalista e de propaganda do regime Salazarista.

          A passagem por este jardim é um roteiro quase obrigatório de quem visita Lisboa que, pelas suas dimensões e pela sua beleza faz as delícias dos adultos e crianças que vão lá relaxar e passar um pouco do seu tempo. E, de fato, não há nada mais revigorante para quem está na cidade que um dia em contato com a natureza. É muito bom esquecer o barulho dos automóveis e o ritmo alucinante do dia-a-dia, nem que seja por alguns minutos. Fazer um piquenique na relva, ouvir os pássaros, ler à sombra de uma árvore ou passear sem rumo, são pequenos prazeres que nos podem dar bem-estar e neste jardim nós podemos fazer tudo isso. Para além disso, este é um excelente espaço para tirar bonitas fotos com o Mosteiro dos Jerónimos como plano de fundo.

Praça do Império
© Roc2c


            Contudo, há outros elementos do jardim a ter em conta. Os maiores destaques do Jardim, para além da sua excelente localização, são a Fonte Monumental de Belém, conhecida por Fonte Luminosa, pelos jogos de luzes conseguidos com a água, que maravilham quem lá passa e também os brasões. O jardim era composto por um conjunto de 30 brasões representando as armas das Cidades capitais de distrito de Portugal e das ex-Províncias Ultramarinas e dois Escudos: o da Ordem de Avis e o da Ordem de Cristo. No entanto estes brasões foram retirados em 2016.


          De realçar também é todo o pavimento de Calçada Portuguesa. Os motivos decorativos são curiosos, neste jardim/praça podemos ver, pisar e admirar os signos do Zodíaco e a esfera armilar em três das principais entradas do jardim.

Praça do Império - Jardins
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            Falando da imponente esfera armilar, nós podemos dizer que temos, literalmente, a arte e a ciência a nossos pés pois é usada como representação do Universo e para determinar a localização dos corpos celestes, por isso desafiamo-lo a colocar os pés no Universo e na matemática e divirtir-se a descobrir a simetria da calçada da Praça do Império.

Praça do Império - Calçada Portuguesa, Esfera Armilar
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             A astrologia é também muito bem representada nesta calçada, aqui estão representados todos os signos do zodíaco com as nossas conhecidas pedrinhas pretas e brancas, esta obra de arte contou com elevado rigor e dedicação dos grandes Mestres Calceteiros sendo o resultado final espantoso e um exemplo do que é possível fazer com a nossa magnífica Calçada Portuguesa.

Praça do Império - Representação dos signos, Calçada Portuguesa
© Roc2c


Império Square
Império Square is in one of the noble areas of Lisbon, in front of the wonderful Jeronimos Monastery and the Belém Cultural Center. This square and garden was designed by the architect Cottinelli Telmo for the Portuguese World Exhibition of 1940, at the commemorations of the 8th Centenary of Independence of Portugal and the 300 years of the restoration of Independence, in a nationalistic and propaganda act of the Salazarist regime.
The passage through this garden is an almost obligatory itinerary for those who visit Lisbon, because of its size and beauty it delights the adults and children who go there to relax and spend some of their time. And, in fact, there is nothing more invigorating for those who are in the city than one day in touch with nature. It's great to forget about the noise of cars and the stressful day to day life, even for a few minutes. Taking a picnic on the grass, listening to the birds, reading in the shade of a tree or strolling without destination, these are small pleasures that can give us well-being and in this garden we can do all this. In addition, this is an excellent space to take beautiful photos with the Jeronimos Monastery as a background.
Imperio Square
© Roc2c

However, there are other garden elements to take into account. The main highlights of the Garden, in addition to its excellent location, are the Monumental Fountain of Belém, known as Fonte Luminosa, for the games of lights achieved with water, which surprise those who pass by and also the coats of arms. The garden was composed of a set of 30 coats of arms representing the district capital cities of Portugal and the ex overseas provinces and two shields: the Order of Avis and the Order of Christ. Nevertheless these coats of arms were retired in 2016.
The pavement in Portuguese Cobblestone is also a fact to emphasize. The decorative motifs are curious, in this garden/square we can see, step and admire the signs of the Zodiac and the armillary sphere in three of the main entrances of the garden.
Imperio Square - Calçada Portuguesa
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Talking about the stately armillary sphere, we can say that we literally have art and science at our feet because it is used as an Universe representation and to determine the celestial bodies location, so we challenge you to put your feet in the Universe and in math and have fun discovering the pavement symmetry of Império Square.
Império Square - Representação dos Signos
© Roc2c

Astrology is also very well represented on this pavement, here they are represented all the zodiac signs with our known black and white pebbles, this work of art counted with high rigor and dedication of the great Master Portuguese Pavement Craftsmen and the final upshot was amazing and it is an example of the which is possible to do with our magnificent Portuguese Cobblestone.


Fotos : Março 2011